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31 de março de 2009

Outono


Enquanto me procuras entre as folhas amarelecidas de algum velho caderno, eu me reedito e renovo a minha roupagem numa outra estação.

1 de fevereiro de 2009

Entrada proibida

(foto: Maya Neves)
Cometeu um erro crasso quem intentou prender o meu coração em um mundinho particular e egoísta. Igualmente errou quem se fechou em copas e não se permitiu ser visitado pelas minhas mãos perquiridoras. Porque o mundo pode impor limites aos meus pés, mas jamais conseguirá deter o meu espírito sonhador e libertário. Para quem não me conhece, no meu mundo proibido é proibir!

24 de dezembro de 2008

Luz!

Na terra como nos céus
Brilha com toda intensidade
Estrela incomparável
Jesus!
@Feliz Natal!

21 de dezembro de 2008

Ser humana

Se não me vistes chorar em um momento de emoção

Se não me vistes franzir o cenho numa hora de tensão

Se não me vistes sorrir largo ao encontrar um irmão

Não foi a mim que enxergaste

Ou pressentiste a presença

Porque sou toda alegria, paixão e benquerença;

Eu sou milagre e mistério

Fé e devoção;

Sou humana e divina

criatura e Criação.



28 de outubro de 2008

Imortal

Há muito tempo que a poesia é o escoadouro das minhas emoções;
Há muito tempo que as impressões que guardo viram rimas, contos, crônicas e artigos;
Há muito tempo que o ato de escrever tem sido tão necessário quanto respirar...
Então, todos os sonhos, as desventuras, meus outonos, as mais caras lembranças, janeiros, madrugadas, amores e domingos vêm sendo imortalizados pelo correr da pena nas folhas recicladas dessa minha longa vida de espírito imortal.

6 de outubro de 2008

O pingo


Um pingo, mais um outro
Aqui e adiante
E logo uma tempestade
Se forma e cai.

Limpando a atmosfera
Esfriando o tempo
Ampliando o leito dos rios
Provocando enxurradas e vendavais.

Lustrando a folhagem
Lavando as calçadas
Molhando os transeuntes
Ensopando as roupas nos varais.

Nutrindo a terra
Alimentando os bichos
Divertindo as crianças
Unindo os casais.

Um pingo, mais um outro
Aqui e adiante
E logo uma tempestade
Se forma e cai...

5 de agosto de 2008

Universo particular


Talvez eu jamais venha a conhecer todos os recantos do mundo que o meu coração ansiava visitar; Talvez eu nunca aprenda todas as línguas que o meu espírito desejava falar; Talvez nada aconteça em minha vida de tudo o que eu sonhava realizar...
Mas as alegrias que eu vivo, hoje, junto ao meu diminuto grupo familiar são maiores do que as belezas dos lugares todos que eu poderia visitar; mais eloqüentes do que todas as línguas que eu viesse a falar e mais gratificantes do que os sonhos tolos que eu nunca cheguei a realizar.


@ para Jade, Maya e Ping - o meu Universo Particular...

10 de julho de 2008

O fechar-se

com o tempo, foram sendo fechadas
as portas e as janelas da casa.
não sei se por medo de sair;
não sei se por medo de entrar...

30 de junho de 2008

O vôo de La Gaviota

Fixei o teu olhar naquele último instante
Quando já eras a própria imagem da despedida
Mas de nada adiantava segurar-te com os olhos
Se a tua alma já não estava ali...

Partiste sem te levares contigo propriamente
Partiste sem te despedires o-f-i-c-i-a-l-m-e-n-t-e
Partiste apenas! Sem acenos ou lamentos...

E eu te olhei mais uma vez antes de levantar
Repor os óculos, a bolsa nos ombros
E sair, batendo a poeira dos pés
Deixando o passado pra trás...

Ficaste mudo: boca e olhos ausentes
Ficaste nu, abandonado por teu próprio corpo
Ficaste apenas! Como uma bandeira tremulando ao vento...

E eu voltei a cabeça ainda uma vez
Mas não te divisei no meio da turba
Então fixei o horizonte, rubro de entardecer
E apressei os passos, asas ao sabor do vento, rumo à liberdade!

18 de junho de 2008

Desejos vãos

(foto de Yvette Moura)

Eu queria ser o Mar de altivo porte

Que ri e canta, a vastidão imensa!

Eu queria ser a Pedra que não pensa,

A pedra do caminho, rude e forte!


Eu queria ser o Sol, a luz intensa,

O bem do que é humilde e não tem sorte!

Eu queria ser a Árvore tosca e tensa

Que ri do mundo vão e até da morte!


Mas o Mar também chora de tristeza...

As árvores também, como quem reza,

Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!


E o Sol, altivo e forte, ao fim de um dia,

Tem lágrimas de sangue na agonia!

E as Pedras... essas... pisa-as toda a gente!...


Florbela Espanca.

11 de junho de 2008

Abraços...

Que braços são esses sempre abertos para o homem que se foi?
Que braços são esses sempre abertos para o homem?
Que braços são esses sempre abertos?
Que braços são esses?
Que braços?




6 de junho de 2008

Banajy

Eu, você e Escorpião
Encontro marcado nos céus
Estrelas dispostas no infinito
Órion, Cassiopéia

Eu, você e o velho Afonso
A linha da vida nos conduz
Seres ávidos de luz
Liberdade e alimento

Olinda, Boa Viagem, Maceió
Poemas escritos nas calçadas
Canções nascidas ao pôr-do-sol
Lua cheia, banho de mar, praia deserta

Eu, você, o arco-íris
Símbolos de um gostar sem fim
Amor que habita o Universo
Para sempre Banajy!

30 de maio de 2008

Cruzada

não sei andar sozinho por essas ruas
sei do perigo que nos rodeia pelos caminhos
não há sinal de sol
mas tudo me acalma no seu olhar

não quero ter mais sangue morto nas veias
quero o abrigo do seu abraço que me incendeia
não há sinal de cais
mas tudo me acalma no seu olhar

você parece comigo
nenhum senhor me acompanha
você também se dá um beijo dá abrigo

flor nas janelas da casa
olho no seu inimigo
você também se dá um beijo dá abrigo
se dá um riso dá um tiro

não quero ter mais sangue morto nas veias
quero o abrigo do seu abraço que me incendeia
não há sinal de paz
mas tudo me acalma no seu olhar...





Beto Guedes

25 de maio de 2008

O que o vento não levou

(foto: Yvette Moura)
No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...

Mário Quintana.

7 de abril de 2008

Azul

(aquarela sobre foto de Yvette Moura

Espera, que ainda hoje

eu desenho um arco-íris

no palato azul da boca do espaço infinito

para vires passear comigo

juntos, vida afora

sonhando que viver é uma aventura sem limites

colorida de alegria e mistério

igual ao que se vê nos filmes!

8 de março de 2008

Mal-me-quer


Aos poucos, fui me abrindo para ti, como uma flor que se deixa mostrar
soltando pétala por pétala até se expor por completo ao sol.
Desnuda, vi teus olhos se desviarem para outros olhos
e as mãos afagarem outros que não os meus cabelos...
Ah, tolo! Tu nunca saberás quem eu sou
até que a noite tenha se interposto entre nós
e ocultado as cores dos meus dias e silenciado a doçura da minha voz
e levado para longe a melodia do meu sorriso...
Como aqueles que só sabem dar valor ao que perdem,
tu só saberás de mim depois que eu tiver anoitecido em botão
e me guardado em pétalas
mais uma vez.



28 de fevereiro de 2008

Pelo mundo



...à pé, descalço
sorrindo ou triste
tua companhia
pelos mares de Olinda
Pátio de São Pedro
bairro de São José
pelo Recife antigo
lá em Maceió
ou onde Deus quiser.
é sempre bom estar contigo, amigo
fazendo a vida acontecer
pra valer!
mais que uma canção de amor
a alegria de viver
um poema livre...


@ para Sávio B.

2 de novembro de 2007

Imortal

Foste.
E, um a um, todos os nossos sonhos
Se despediram de mim.
Em dias como este, só a brisa
Com seu toque suave e alentador
Me enlevam do chão
Ao alto plano onde estás.
E logo o sorriso me volta à face
Feito criança feliz a saltitar...
Foste.
Mas o meu coração ainda deita
À sombra da tua lembrança
Doce e imortal
Para se refrescar.